Mortalidade cardiovascular atinge mínimo histórico
Mortalidade cardiovascular atinge mínimo histórico

Portugal registou, em 2023, o valor mais baixo dos últimos 30 anos no que diz respeito à mortalidade por doenças do aparelho circulatório. A tendência de descida tem sido consistente ao longo da última década, refletindo uma evolução positiva nos cuidados de saúde e na prevenção.

Os dados mais recentes confirmam uma trajetória consistente de redução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Ao longo da última década, a proporção de óbitos associados a estas patologias tem diminuído de forma progressiva, refletindo uma combinação de prevenção mais eficaz, melhor acompanhamento clínico e maior acesso a cuidados diferenciados.

Embora continuem a representar cerca de um quarto das mortes registadas no país, as doenças cérebro e cardiovasculares estão hoje mais controladas do que há 30 anos, aproximando-se dos valores observados nos tumores malignos — uma realidade impensável há algumas décadas.

Prevenção e controlo dos fatores de risco em destaque

Um dos pilares desta evolução positiva tem sido o reforço dos cuidados de saúde primários, com foco na prevenção e na gestão de fatores de risco cardiovasculares.

Entre os principais progressos verificados, salientam-se:

  • Maior monitorização da hipertensão arterial
  • Melhor controlo metabólico em pessoas com diabetes
  • Aumento da literacia em saúde junto da população
  • Expansão das consultas de cessação tabágica

O investimento na prevenção tem permitido intervir antes do surgimento de eventos graves, como o enfarte do miocárdio ou o acidente vascular cerebral.

Resposta hospitalar mais rápida e eficaz

A consolidação das vias rápidas de atendimento tem sido determinante para melhorar a sobrevivência e reduzir sequelas graves.

Destacam-se medidas como:

  • ⚡ Via Verde do AVC, que acelera o diagnóstico e a administração de terapêutica adequada
  • ❤️ Via Verde Coronária, fundamental no tratamento atempado do enfarte
  • 🏥 Maior articulação entre cuidados pré-hospitalares e hospitais

Estas estratégias reduzem significativamente o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento, fator crítico no prognóstico dos doentes.

O desafio do envelhecimento populacional

Apesar das melhorias registadas, o envelhecimento da população continua a representar um desafio importante. Mais de 65% dos internamentos por AVC e insuficiência cardíaca ocorrem em pessoas com mais de 70 anos, exigindo respostas adaptadas às necessidades desta faixa etária.

A gestão integrada de doentes crónicos, o acompanhamento domiciliário e os programas de reabilitação cardiovascular assumem, por isso, um papel cada vez mais relevante.

Inovação tecnológica e alinhamento europeu

O relatório divulgado pela Direção-Geral da Saúde evidencia também uma forte aposta na modernização tecnológica, com:

  • 🔬 Crescimento dos procedimentos minimamente invasivos
  • 💊 Maior acesso a terapêuticas avançadas
  • 📈 Adoção de práticas clínicas alinhadas com as recomendações europeias

Esta evolução tem permitido a Portugal apresentar indicadores de mortalidade cérebro e cardiovascular iguais ou inferiores à média europeia, consolidando um percurso de melhoria contínua nos cuidados prestados à população.