ULS São José realiza primeiro transplante renal totalmente robótico em Portugal
ULS São José realiza primeiro transplante renal totalmente robótico em Portugal

Um avanço histórico na transplantação renal em Portugal

O Hospital Curry Cabral, integrado na ULS São José, alcançou um marco inédito na medicina nacional ao realizar o primeiro transplante renal totalmente robótico em Portugal. Este procedimento inovador, efetuado com recurso a um dador vivo, posiciona a ULS São José na linha da frente da cirurgia de transplantação, reforçando o papel do Serviço Nacional de Saúde na adoção de tecnologias de ponta.

Cirurgia com dador vivo e evolução clínica favorável

A intervenção aconteceu a 13 de novembro de 2025, no Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação da ULS São José. O transplante envolveu um pai, de 63 anos, que doou um rim à filha, de 38 anos, diagnosticada com nefropatia em 2024 e em tratamento com diálise peritoneal desde então. De acordo com a instituição, tanto o dador como a recetora evoluíram de forma positiva no pós-operatório, encontrando-se ambos a recuperar favoravelmente, sem complicações relevantes.

Benefícios clínicos da cirurgia totalmente robótica

Este foi o primeiro caso, em Portugal, em que todo o procedimento — desde a colheita do órgão até ao implante renal na fossa ilíaca direita — foi realizado exclusivamente por via robótica. Embora a nefrectomia robótica do dador já fosse praticada no Hospital Curry Cabral há mais de um ano, o implante renal continuava a ser feito por cirurgia convencional.

A abordagem totalmente robótica permite uma intervenção menos invasiva, associada a menor dor pós-operatória, redução do tempo de internamento, recuperação mais rápida e diminuição do risco de complicações cirúrgicas, beneficiando simultaneamente o dador e o recetor.

Precisão cirúrgica, trabalho de equipa e aposta na inovação

O cirurgião João Santos Coelho, responsável pela condução do robô cirúrgico, destaca que a tecnologia utilizada possibilita uma execução extremamente precisa das anastomoses vasculares e ureterais, graças à ampliação da imagem e à elevada destreza dos movimentos. Esta precisão traduz-se numa maior segurança clínica, melhor função do rim transplantado e maior durabilidade do órgão.

Para o diretor do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação, Hugo Pinto Marques, este procedimento demonstra claramente as vantagens da cirurgia robótica, ao permitir maior rigor técnico com menor agressão para o organismo. Já a presidente do Conselho de Administração da ULS São José, Rosa Valente de Matos, sublinha que este transplante pioneiro reflete a aposta contínua da instituição na inovação, com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados e na capacidade de atrair e reter profissionais altamente qualificados.